Responsável por dar vida à diversos personagens que acompanharam as tardes preguiçosas de muitas crianças e adolescentes à frente da televisão, Bridgit Mendler se tornou um rosto essencial e reconhecível para toda uma geração. Entretanto, além de suas conquistas na frente das câmeras, a trajetória de Mendler continua fora delas, ainda mais admirável do que nunca.
De fã à estrela
Por trás de uma das atrizes mais reconhecidas de sua época, existia uma garota fascinada pelo mundo pop. Antes de assinar com o Disney Channel, em 2009, e viver personagens inesquecíveis como Juliet Van Heusen em Feiticeiros de Waverly Place e Teddy Duncan em “Boa Sorte, Charlie!”, Bridgit era apenas uma fã — encantada com o que via na televisão.
Entre suas referências estava Hilary Duff em Lizzie McGuire, cuja forma de se expressar artisticamente despertava nela algo maior: a ideia de que era possível construir uma carreira a partir da própria voz, da própria identidade e da própria confiança em se expressar.
Esse encantamento virou objetivo muito cedo. Aos 11 anos, Bridgit já entendia que precisaria sair da zona de conforto para alcançar seus sonhos e foi atrás de um agente para começar sua carreira. Em 2004, conseguiu seu primeiro papel na animação The Legend of Buddha, dando início a uma trajetória que cresceria rapidamente, com participações em filmes como Alice Upside Down (2007) e The Clique (2008).
Mas foi em 2009, com o contrato com o Disney Channel, que tudo mudou. Ela se tornou uma estrela do canal com seu papel em Boa Sorte, Charlie!, em que pode mostrar sua habilidade com a comédia ao interpretar Teddy Duncan, uma adolescente que ao saber que iria ter uma irmã mais nova, passou a gravar vídeos diários para ajudá-la a navegar pela vida. A atriz conta que a experiência de trabalhar no set do seriado foi essencial para a sua formação como atriz e como pessoa.
Mesmo com o grande sucesso da série, Mendler estava longe de ser um talento unilateral, e, em 2011, uma nova porta se abriu. No filme musical Lemonade Mouth, Bridgit interpretou Olivia White e assumiu os vocais principais da maioria das canções da produção — revelando ao público um outro talento que já fazia parte de quem ela era. No mesmo ano, assinou com a Hollywood Records e começou a trabalhar em seu primeiro álbum solo, o “Hello, My Name Is…”. O resultado veio em 2012, com o lançamento do single de estreia “Ready or Not”, um de seus maiores sucessos na música que atingiu o top 10 no Reino Unido e certificação de Platina em alguns países.
Quando a curiosidade aponta novos destinos
Anos depois, durante as gravações do filme Pai do Ano, em Massachusetts, uma visita despretensiosa mudaria tudo. Em um dia de folga, Bridgit decidiu conhecer o Massachusetts Institute of Technology — o famoso MIT — e saiu de lá completamente transformada.
A sensação era familiar. Assim como antes, quando assistia seus ídolos na televisão, ela voltou a sentir aquele mesmo fascínio, só que agora direcionado a outra forma de expressão: a ciência, a engenharia, a criação de ideias capazes de impactar o mundo.
Em entrevistas, Bridgit conta que enxergou nos engenheiros a mesma confiança que admirava em artistas como Hilary Duff, mas aplicada de outra forma. Era criatividade, disciplina e propósito em ação. E, mais uma vez, ela decidiu ir atrás.
Usando os recursos que tinha à disposição, entrou em contato — via Twitter — com o diretor do laboratório que havia visitado. A conversa rendeu mais do que troca de ideias: abriu as portas para que ela ingressasse no programa de estudos do MIT.

Entre 2017 e 2023, Bridgit foi pesquisadora no MIT Media Lab. Paralelamente, também ingressou na Harvard University para cursar direito.
Bridgit nas estrelas
Foi dentro desse ambiente que um novo interesse surgiu: o espaço.
Ao entrar em contato com grupos que pesquisavam aplicações espaciais, Bridgit descobriu algo que mudou sua perspectiva: estudar o espaço não significava apenas olhar para Marte ou galáxias distantes, mas entender como, junto da tecnologia, o estudo do espaço poderia impactar diretamente a vida na Terra e, mais uma vez, algo nela acendeu.
E mesmo durante o isolamento da Covid-19, ela não deixou com que esse algo fosse apagado. Em 2020, Bridgit e seu marido, o engenheiro Griffin Cleverly, começaram a construir antenas improvisadas com materiais encontrados em lojas de construção. O que parecia um experimento caseiro logo se transformou em algo muito maior.

A ideia que nasceu na pandemia
Dessas antenas nasceu a Northwood Space.

A proposta da empresa é ambiciosa: funcionar como uma “rodovia de dados entre a Terra e o espaço”. Em vez de construir foguetes ou satélites, a Northwood foca em produzir estações terrestres — antenas que conectam satélites em órbita ao nosso planeta.
Desde o início, a empresa atraiu investidores de peso, como Founders Fund e Andreessen Horowitz. Em 2026, deu um salto ainda maior: captou 100 milhões de dólares e garantiu um contrato de mais de 49 milhões com a Força Espacial dos Estados Unidos.
Aos 33 anos, Bridgit Mendler soma uma carreira como atriz, uma trajetória musical, um PhD, um diploma em direito e uma empresa avaliada em 800 milhões de dólares. Parece até ficção. Mas é real.
“Seja mais ambicioso do que você acha que deveria” – Bridgit Mendler
Em entrevista ao canal NothingButTech, Bridgit compartilhou a filosofia que guiou todas essas escolhas: agir.
“Vá e faça! […] Se você está dedicando o seu precioso tempo para criar algo, crie algo grande e significativo.”
Curiosamente, ela não se define como alguém naturalmente inteligente — eu sei, parece piada —- porém, para ela, o que realmente faz diferença é a decisão diária de fazer o melhor possível, não um talento inato, mas uma escolha constante.
Ser fangirl é um superpoder
A história de Bridgit Mendler é, no fundo, sobre o que acontece quando você não tem vergonha da intensidade com que se encanta pelas coisas e, mais do que isso, quando escolhe levar esse encantamento a sério. Em vez de se acomodar após alcançar o que muitos considerariam “tudo”, Bridgit fez o movimento oposto: continuou expandindo seus próprios limites, perseguindo novos sonhos com a mesma curiosidade inquieta de quem ainda está começando. Existe algo de muito poderoso nessa recusa em se contentar, nessa vontade constante de explorar, aprender e recomeçar quantas vezes forem necessárias. Ao longo de sua trajetória, ela não apenas acumulou conquistas — ela construiu pontes entre interesses, mundos e possibilidades. Soube olhar para aquilo que admirava e transformar esse sentimento em ação concreta, em decisão e caminho. E com isso, ela pode perceber que se encantar por algo, pode ser um ponto de partida.