Em um mundo cada vez mais acelerado e dominado por telas ,notificações constantes, rolagens infinitas e múltiplas abas abertas a leitura se torna quase como uma forma de reconexão com o mundo real. Ler é desacelerar, expandir horizontes, exercitar a empatia e mergulhar em universos que vão muito além da nossa própria vivência. Não à toa, estudos associam o hábito da leitura ao aumento da concentração, à redução do estresse e ao desenvolvimento do pensamento crítico.
E se engana quem pensa que esse hábito ficou no passado: até mesmo os nomes mais influentes da cultura pop encontram nos livros uma forma de inspiração, refúgio e criatividade. No Dia Mundial do Livro, celebrado hoje, a Histeria reuniu alguns títulos que conquistaram artistas que você provavelmente já tem na sua playlist.
Harry Styles: Açúcar de Melancia, de Richard Brautigan (1968)
Se o título já te fez pensar em Watermelon Sugar, não é coincidência. O livro Açúcar de Melancia está entre os favoritos de Harry Styles, que já comentou em entrevista à BBC Radio sobre a relação da obra com o imaginário que envolve a canção.
Publicado no fim da década de 1960, o romance de Richard Brautigan apresenta um cenário pós-apocalíptico nada convencional, onde a vida gira em torno de uma lógica peculiar: tudo, de alguma forma, vem da melancia. Com uma narrativa experimental e um tom quase onírico, o livro se consolidou como um marco da contracultura — e sua estética singular encontra ecos no universo criativo e visual do artista.
Emma Watson: The Handmaid’s Tale, de Margaret Atwood (1985)
Ativista e leitora voraz, Emma Watson frequentemente compartilha suas leituras — e The Handmaid’s Tale é uma das obras mais emblemáticas associadas a ela. O livro é uma distopia poderosa que aborda questões de opressão, liberdade e direitos das mulheres, permanecendo assustadoramente atual décadas após sua publicação.
Dua Lipa: Nadando no Escuro, de Tomasz Jędrowski (2020)
Leitora assumida, Dua Lipa leva a literatura tão a sério que criou seu próprio clube do livro, o Service95. Entre suas leituras marcantes está Nadando no Escuro, romance que combina política e romance em uma narrativa sensível.
Ambientado na Polônia dos anos 1980, o livro acompanha o relacionamento entre dois jovens em meio a um regime opressor, explorando amor, identidade e liberdade. A escolha reforça o interesse da artista por histórias emocionalmente intensas e com pano de fundo social.
Olivia Rodrigo: A Hora da Estrela, de Clarice Lispector (1977)
Conhecida por transformar emoções intensas em música, Olivia Rodrigo também encontra na literatura uma extensão desse olhar sensível. Em um vídeo para a Vogue, a artista citou A Hora da Estrela, de Clarice Lispector, revelando estar completamente imersa na leitura — chegando a grifar diversos trechos ao longo do livro.
Publicado em 1977, o romance acompanha a trajetória de Macabéa, uma jovem nordestina vivendo no Rio de Janeiro, em uma narrativa marcada pela delicadeza e pela profundidade existencial. A escolha de Olivia reforça sua conexão com histórias introspectivas e emocionalmente cruas, que exploram identidade, solidão e pertencimento.
Pedro Pascal: A Montanha Mágica, de Thomas Mann (1924)
Entre clássicos densos e introspectivos, Pedro Pascal já demonstrou apreço por obras profundas — e A Montanha Mágica se destaca nesse universo. O livro acompanha um jovem em um sanatório nos Alpes, enquanto reflete sobre tempo, doença e existência, em uma narrativa filosófica e imersiva.
Doechii: Guia Prático para a Criatividade: O Caminho do Artista, de Julia Cameron (1992)
Conhecida por sua criatividade expansiva e estética fora do convencional, Doechii também busca referências em leituras que estimulam o processo criativo. O Caminho do Artista, de Julia Cameron, é um guia clássico para desbloquear a criatividade e desenvolver uma relação mais livre com a expressão artística.
A obra propõe exercícios e reflexões que ajudam artistas a lidar com bloqueios criativos e inseguranças — um tema que conversa diretamente com a jornada de quem vive da própria arte.
Margot Robbie: Corte de Espinhos e Rosas, de Sarah J Maas (2015)
Entre produções de Hollywood e projetos ambiciosos, Margot Robbie também encontra espaço para mergulhar em universos fantásticos. A atriz já demonstrou interesse pela série A Court of Thorns and Roses (ACOTAR), sucesso absoluto entre fãs de fantasia.
O primeiro livro, publicado em 2015, mistura romance, aventura e elementos de contos de fadas em uma narrativa envolvente sobre poder, desejo e sobrevivência. A popularidade da saga só cresce — e o interesse de nomes como Margot reforça seu impacto cultural.
Muito além das páginas
Celebrar o Dia Mundial do Livro é, acima de tudo, reconhecer que a leitura continua sendo um elo poderoso entre mundos, os reais e os imaginários. Se os artistas que moldam a cultura pop também se deixam atravessar por essas histórias, talvez isso diga muito sobre o papel dos livros: eles não apenas refletem quem somos, mas também ajudam a construir quem podemos ser.