No cinema e na televisão, o jornalismo ganhou rostos, vozes e histórias que ajudaram a moldar a forma como o público enxerga a profissão. De redações caóticas a telejornais de grande audiência, personagens jornalistas se tornaram símbolos de curiosidade, ética, ambição e compromisso com a informação — ainda que inseridos em contextos de ficção. Ao longo das décadas, séries e filmes apresentaram repórteres, âncoras e colunistas que, cada um à sua maneira, traduzem desafios reais da profissão. No Dia do Repórter, resgatamos alguns desses personagens que marcaram a cultura pop! 

Rory Gilmore de Gilmore Girls

Rory Gilmore é uma das personagens centrais da série Gilmore Girls, criada por Amy Sherman-Palladino e lançada originalmente em 2000. A produção acompanha a relação entre mãe e filha — Lorelai e Rory — na pequena cidade fictícia de Stars Hollow, explorando temas como família, amadurecimento, ambição e escolhas pessoais. Com diálogos rápidos e forte referência à cultura pop, a série se destacou por seu estilo autoral e por retratar mulheres complexas em diferentes fases da vida.

Dentro desse universo, Rory é apresentada como uma jovem estudiosa, introspectiva e apaixonada por livros, cujo grande objetivo é se tornar jornalista. Ao longo da série, o jornalismo não aparece apenas como profissão, mas como vocação: Rory atua no jornal da escola, escreve para o Yale Daily News durante a faculdade e chega a ocupar o cargo de editora do veículo. Sua trajetória retrata desafios comuns da carreira, como pressão por desempenho, frustrações profissionais e conflitos entre expectativa e realidade, tornando a personagem um dos exemplos mais reconhecidos de jornalista na ficção televisiva contemporânea.

Clark Kent, Lois Lane e Chloe Sullivan de Smallville

É claro que o Superman já teve inúmeras versões no cinema, na TV e nos quadrinhos. Para esta matéria, no entanto, a recomendação vai para Smallville, série criada por Alfred Gough e Miles Millar e exibida entre 2001 e 2011. A produção acompanha a juventude de Clark Kent, antes de assumir a identidade de Superman, explorando sua formação moral, seus poderes e os primeiros passos no caminho do heroísmo.

Nas primeiras temporadas, Clark Kent e Chloe Sullivan fazem parte do jornal da escola, The Torch. É a partir dali que os dois passam a maior parte dos episódios investigando e desvendando casos misteriosos que acontecem em Smallville, muitos deles ligados a eventos inexplicáveis na cidade. Já Lois Lane entra mais tarde na série e se firma como uma jornalista investigativa determinada, completando o trio que conecta o universo do jornalismo à narrativa da série.

Robin Scherbatsky de How I Met Your Mother

Robin Scherbatsky é uma das personagens centrais da sitcom How I Met Your Mother, criada por Carter Bays e Craig Thomas e exibida originalmente entre 2005 e 2014. A série acompanha um grupo de amigos vivendo em Nova York, com foco em relacionamentos, amadurecimento e escolhas pessoais, narrados em retrospectiva por Ted Mosby.

Dentro da trama, Robin se destaca por sua carreira no jornalismo televisivo. De origem canadense, ela inicia sua trajetória profissional em emissoras locais e, ao longo da série, enfrenta os altos e baixos da profissão, incluindo instabilidade no mercado, disputas por espaço e mudanças de formato. Sua evolução até se tornar âncora de um telejornal reflete desafios reais do jornalismo na TV, como a pressão por audiência e visibilidade, consolidando Robin como um dos exemplos mais reconhecidos de jornalista na ficção seriada.

Carrie Bradshaw de Sex and The City

Carrie Bradshaw é a protagonista da série Sex and the City, criada por Darren Star e exibida originalmente entre 1998 e 2004, baseada no livro de Candace Bushnell. A produção acompanha quatro mulheres vivendo em Nova York e discute temas como relacionamentos, carreira, amizade e comportamento urbano sob uma perspectiva feminina.

No contexto da série, Carrie atua como colunista de jornal, escrevendo sobre sexo, amor e costumes contemporâneos a partir de suas próprias experiências e observações. Seu trabalho como jornalista é parte central da narrativa, servindo como fio condutor dos episódios e refletindo o papel da mídia impressa na discussão de temas considerados tabus à época. A personagem se tornou um dos retratos mais emblemáticos do jornalismo opinativo e de comportamento na ficção televisiva.

Iris Simpkins de O Amor Não Tira Férias

Iris Simpkins é uma das protagonistas do filme O Amor Não Tira Férias, escrito e dirigido por Nancy Meyers e lançado em 2006. A comédia romântica acompanha duas mulheres — uma inglesa e uma americana — que decidem trocar de casa durante as férias de fim de ano em busca de mudanças pessoais e emocionais.

No longa, Iris trabalha como jornalista em um grande jornal de Londres, onde assina uma coluna de casamentos. Apesar de escrever diariamente sobre histórias românticas, a personagem vive uma relação marcada por frustração e falta de reciprocidade, o que cria um contraste direto entre sua vida profissional e pessoal. Ao longo do filme, sua trajetória aborda temas como autoestima, independência emocional e recomeços, consolidando Iris como um exemplo de jornalista retratada na ficção cinematográfica sob uma perspectiva sensível e humana.

Andie Anderson de Como Perder um Homem em 10 Dias

Andie Anderson é a protagonista do filme Como Perder um Homem em 10 Dias, lançado em 2003 e dirigido por Donald Petrie, inspirado em um livro ilustrado de Michele Alexander e Jeannie Long. A comédia romântica se passa em Nova York e acompanha os bastidores do jornalismo de revista voltado ao público feminino.

Na trama, Andie trabalha como jornalista e colunista da revista Composure, especializada em comportamento e relacionamentos. Ambiciosa, ela deseja escrever matérias mais sérias, mas acaba aceitando o desafio de produzir um artigo experimental: provar que é possível fazer um homem se apaixonar — e afastá-lo — em apenas dez dias. A personagem representa o jornalismo de comportamento e lifestyle na ficção, além de evidenciar conflitos profissionais comuns, como a busca por reconhecimento editorial e autonomia criativa.

]Bridget Jones de Bridget Jones: No Limite da Razão

Lançado em 2004, Bridget Jones: No Limite da Razão é a continuação direta de O Diário de Bridget Jones e marca um novo momento na trajetória profissional da personagem. Dirigido por Beeban Kidron, o filme acompanha Bridget já mais consolidada como jornalista, agora trabalhando como repórter de televisão, enquanto tenta equilibrar carreira, vida amorosa e suas inseguranças recorrentes.

Na trama, Bridget enfrenta uma crise em seu relacionamento com Mark Darcy e acaba envolvida em situações que misturam vida pessoal e trabalho, incluindo uma viagem profissional à Tailândia que sai completamente do controle. Entre erros, constrangimentos públicos e dilemas éticos, a personagem segue usando o humor e a vulnerabilidade como ferramentas para sobreviver em um ambiente competitivo, reforçando uma representação menos idealizada — e mais humana — da profissão jornalística.

Tintim de As Aventuras de TinTim

Tintim é um dos jornalistas mais icônicos da cultura pop e atravessa gerações como símbolo de curiosidade, coragem e compromisso com a verdade. As Aventuras de Tintim é o título da série de histórias em quadrinhos criada pelo autor belga Georges Prosper Remi, mais conhecido como Hergé, lançada originalmente em 1929. Ao longo das histórias, Tintim atua como repórter, mas sua profissão vai além do ambiente das redações: ele investiga crimes, desvenda conspirações internacionais e se envolve em grandes acontecimentos políticos e históricos, sempre guiado pela busca da verdade.

O personagem também ganhou uma adaptação para o cinema com As Aventuras de Tintim, lançado em 2011 e dirigido por Steven Spielberg. O longa transporta para as telas o espírito investigativo do repórter, combinando aventura, mistério e jornalismo investigativo, além de apresentar Tintim a uma nova geração. Mesmo fora das páginas dos quadrinhos, o personagem segue representando o ideal do repórter movido pela ética, pela curiosidade e pelo desejo de compreender o mundo.

Sophie Hall de Cartas Para Julieta

Em Cartas para Julieta, lançado em 2010, Sophie Hall é apresentada como uma jornalista em início de carreira, que sonha em trabalhar com reportagens e escrita autoral, mas ainda enfrenta frustrações profissionais. Dirigido por Gary Winick, o filme acompanha a personagem durante uma viagem à Itália, onde ela acaba encontrando uma antiga carta de amor deixada em Verona — cidade conhecida pelas mensagens inspiradas na história de Romeu e Julieta.

Ao responder a carta décadas depois, Sophie se envolve em uma jornada emocional ao lado de Claire, a destinatária da mensagem, e de seu neto. Embora o enredo seja guiado pelo romance, a profissão da personagem tem papel central na narrativa: é sua curiosidade jornalística, sensibilidade para ouvir histórias e desejo de escrever algo significativo que impulsionam a trama. Sophie representa a jornalista movida pela escuta, pela empatia e pela crença de que histórias reais — mesmo as mais íntimas — têm valor e merecem ser contadas.