Muito além de um evento esportivo, o Super Bowl se tornou, ao longo das décadas, um dos maiores palcos da cultura pop mundial. A final do futebol americano reúne milhões de espectadores todos os anos, mas é durante o Halftime Show, ou seja, o show do intervalo, que o evento se transforma em um verdadeiro espetáculo global.

Com cerca de 12 a 15 minutos, a apresentação precisa condensar carreira, impacto cultural, hits e performance em um espaço curto, visto ao vivo por dezenas de milhões de pessoas e repercutido no mundo inteiro. Não à toa, muitos desses shows entraram para a história não só da música, mas da cultura pop como um todo.

A seguir, relembramos algumas das apresentações mais icônicas do Super Bowl, aquelas que marcaram época, redefiniram expectativas e ajudaram a transformar o intervalo do jogo em um evento tão aguardado quanto a própria partida.

Michael Jackson (1993)

Antes de Michael Jackson, o show do intervalo era visto quase como um detalhe. Depois dele, nunca mais foi o mesmo. O Rei do Pop entrou no palco em silêncio, parado por longos segundos, apenas encarando o público, capturando ainda mais a atenção de todos. A performance transformou o Halftime Show em um espetáculo pop de escala global, provando que música e esporte podiam coexistir em grandeza.

Aerosmith, ‘N Sync, Britney Spears, Mary J.Blige e Nelly (2001)

Tendo como tema principal da apresentação “Os Reis do Pop e Rock”, a apresentação reuniu Ben Stiller, Adam Sandler e Chris Rock como mestres de cerimônia, trazendo humor e leveza para anunciar uma sequência de performances que simbolizavam a força da cultura pop no início do novo milênio.

No palco, passaram Aerosmith, NSYNC, Britney Spears, Mary J. Blige e Nelly, em um encontro que traduz perfeitamente o espírito da época. O momento mais lembrado é o encerramento coletivo ao som de Walk This Way, com Britney e NSYNC dividindo o palco com o Aerosmith.

U2 (2002)

Marcado pelo contexto emocional do pós-11 de setembro, o show do U2 foi sóbrio, respeitoso e profundamente simbólico. Enquanto nomes das vítimas eram projetados ao fundo, a banda optou por uma performance contida, provando que o Halftime Show também pode ser espaço de luto, memória e união.

https://youtu.be/n23JiBualf4?si=8NNa-J423054Dlf

Paul McCartney (2005)

Em 2005, o Super Bowl apostou em um nome que dispensa apresentações. Paul McCartney levou ao palco um show mais clássico e direto, guiado por guitarra, carisma e um repertório que atravessa gerações. A escolha simbolizou um momento de segurança após anos de controvérsias no Halftime Show, reafirmando o evento como um espaço também para lendas da música. Canções como Hey Jude transformaram o estádio em um coro coletivo, provando que a força do pop também mora na memória afetiva.

https://www.youtube.com/watch?v=2aw1www0z48

Prince (2007)

Poucos artistas conseguiram transformar condições adversas em poesia como Prince. Sob uma chuva intensa, ele entregou uma das performances mais lembradas da história, com destaque absoluto para “Purple Rain” — cantada literalmente sob chuva. Íntima, grandiosa e emocional, a apresentação é frequentemente citada como a melhor de todos os tempos.

https://www.youtube.com/watch?v=-WYYlRArn3g

The Black Eyed Peas (2011)

A apresentação do The Black Eyed Peas refletiu o auge do pop eletrônico dos anos 2010. Com visual futurista e estética tecnológica, o grupo levou ao palco hits que dominaram as paradas da época. Embora hoje seja lembrado de forma controversa, o show é um retrato fiel do som e da estética de uma década marcada por excessos, pistas de dança e experimentações digitais no pop mainstream.

Madonna (2012)

Madonna transformou o Super Bowl em um verdadeiro espetáculo teatral. Com estética inspirada na Roma Antiga, coreografias grandiosas e figurinos marcantes, a artista reuniu Nicki Minaj, M.I.A. e LMFAO no palco, criando um encontro entre gerações do pop. A apresentação reafirmou seu status de ícone absoluto, capaz de se reinventar e dialogar com o presente sem perder o controle de sua própria narrativa.

Beyoncé (2013 / 2016)

Em 2013, Beyoncé dominou o palco com uma performance impecável e o reencontro do Destiny’s Child. Três anos depois, em 2016, ela retornou ao Super Bowl ao lado de Coldplay e Bruno Mars, transformando sua participação em um momento político e cultural. Com referências visuais ao movimento Black Panther e uma coreografia afiada, Beyoncé usou o palco para afirmar identidade, poder e posicionamento — mostrando que o Halftime Show também pode ser discurso.

Bruno Mars (2014)

Com carisma e precisão técnica, Bruno Mars apostou em uma performance mais clássica e musicalmente afiada. Ao lado do Red Hot Chili Peppers, ele provou que não é preciso excesso de efeitos para dominar um estádio inteiro — presença, voz e banda ao vivo bastaram.

Katy Perry (2015)

Talvez uma das performances mais lembradas da década. Katy Perry surgiu montada em um leão dourado gigante e entregou um espetáculo colorido, divertido e altamente memético — incluindo o icônico “Left Shark”. Um show que soube equilibrar humor, hits e impacto visual.

https://www.youtube.com/watch?v=ZD1QrIe–_Y&list=RDZD1QrIe–_Y&start_radio=1

Lady Gaga (2017)

Do salto do teto do estádio ao final explosivo, Lady Gaga construiu uma narrativa de ascensão, força e autenticidade. Sem participações especiais, ela sustentou o show sozinha – algo raro – e provou que carisma, técnica e conexão com o público ainda são os maiores efeitos especiais possíveis.

Shakira & Jennifer Lopez (2020)

Liderado por Shakira e Jennifer Lopez, o show celebrou a cultura latina em sua diversidade sonora e visual. Bad Bunny e J Balvin apareceram como representantes de uma nova geração que já dominava o cenário global, conectando o passado, o presente e o futuro da música latina. Mais do que entretenimento, a apresentação foi um manifesto de identidade e pertencimento.

Dr. Dre, Snoop Dogg, Eminem, Mary J. Blige & Kendrick Lamar (2022)

Um tributo histórico ao hip hop. O show celebrou um gênero que, por décadas, foi marginalizado, levando-o ao centro do maior palco da televisão americana. Mais do que nostalgia, foi um reconhecimento cultural e político da importância do rap na construção da música contemporânea.

https://www.youtube.com/watch?v=gdsUKphmB3Y

Rihanna (2023)

O retorno de Rihanna aos palcos, transformou o Halftime Show em um momento de afirmação pessoal. Grávida, suspensa em plataformas flutuantes e com um setlist repleto de hits -como só ela sabe fazer-, ela não precisou provar nada – e foi exatamente isso que tornou a apresentação tão inesquecível e poderosa. Um retorno que falou mais sobre presença e legado do que sobre excessos.

https://www.youtube.com/watch?v=HjBo–1n8lI

O aguardado show histórico de Bad Bunny

Agora, o mundo volta seus olhos para um dos momentos mais aguardados da história recente do Super Bowl: o show solo de Bad Bunny. O artista porto-riquenho chega ao palco não apenas como um fenômeno musical, mas como um símbolo de transformação da indústria pop.

Bad Bunny será histórico porque representa a quebra definitiva da lógica anglocêntrica do pop global. Cantando majoritariamente em espanhol, denunciando questões políticas e sociais de Porto Rico e usando sua visibilidade como ferramenta de discurso, ele transforma o Halftime Show em algo maior do que um espetáculo: um gesto cultural. Sua presença consolida a música latina não como tendência passageira, mas como força central da cultura pop contemporânea.

Muito mais do que entretenimento

As apresentações do Super Bowl mostram como a música é capaz de atravessar fronteiras, unir gerações e refletir transformações sociais, políticas e estéticas. Cada artista que pisa nesse palco não representa apenas sua carreira, mas um momento específico da história cultural.

No fim, o Halftime Show é isso: um lembrete de que a música também é memória coletiva.